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A cozinha sempre foi o canto da casa preferido de Matheus Oliveira, de 21 anos. Nascido na comunidade de Santo Antônio, periferia de São Paulo, cabia ao mais novo de três irmãos preparar as refeições da família. Ele cresceu com a mão na massa, no feijão, na carne. Fez curso de gastronomia sonhando ser chef de um restaurante badalado, desses que aparecem nas críticas dos jornais.
Matheus sempre conheceu o tempero das coisas. Sabe que pratos saborosos estão em todo lugar, não só no centro e nos bairros chiques. Perambulando pelas vielas mais distantes da cidade, descobriu joias da gastronomia. Restaurantes nordestinos, comida japonesa, italiana, natural, lanchonetes. Queria gritar ao mundo elogios a cada novo sabor. E o fez misturando paladar, pitadas de dedicação e letras.
Entrou em um curso de comunicação na sede da ONG Casa do Zezinho, no Capão Redondo. Depois tornou-se parte da Énóis, Agência Escola de Conteúdo Jovem, coordenada pelas jornalistas Amanda Rahra e Nina Weingrill. E descobriu que poderia juntar seu conhecimento na fina arte da boa mesa com tecnologia.
Matheus criou um guia gastronômico da periferia. No Prato Firmeza tem restaurante no quintal de casa que atende só com hora marcada, pastéis de 30 centímetros, sorveterias, padarias. Ele ainda planeja ser chef de cozinha. Mas não quer sair do seu bairro. Ao lado de outros jovens na Énóis, dá voz a uma região que por muito tempo não foi ouvida. “Não fazemos nada por eles, nem para eles. Mudar a vida dos jovens é fazer com eles, mostrar que eles podem”, conta Amanda. [Texto extraído do Almanaque Brasil edição 178 escrito por Laís Duarte, foto de Davi Ribeiro /Folhapress]